Simaeta e a doença ardente
Augusta Selene foi testemunha da doença ardente de Simaeta.
A feiticeira não alcança a magia. A feiticeira é a magia. Todas as partículas projetam-se nela, de dentro para fora, caleidoscópio que gira.
Simaeta movida pela obsessão, pelo ciume e amor ferido, faz o ritual sabendo que Delfis não vai voltar nunca mais. Simaeta manipula os objetos, mata pequenos animais, um lagarto, um pássaro, como uma desesperada e inútil dança infantil, a tentar recuperar uma ordem no caos.
Não, Delfis nunca regressará, nem a Selene nem mesmo Apolo ou Afrodite conseguem fazer brotar num coração o amor, porque não é possível falsificar a chama.
O feitiço foi inútil e Simaeta entende que Delfis não pode voltar porque nenhum encantamento pode transformar um homem.
O único amor a recuperar é o seu, a sua dignidade perdida. Unificar as suas partes e usar a Natureza para girar novamente
Tudo pode mudar, amantes perdidos, cidades que se queimam, famílias que se apartam, beleza esfumada, vidas consumidas. Tudo repetido, vezes e vezes sem conta.
A magia não é inútil. A verdadeira sabedoria é entender o que pode ser transformado e aquilo que é preciso deixar ir. Toda a doença ardente, obsessão, é preciso deixar ir. Pois tudo é temporário.

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