Uma perfeitíssima contagem crescente só para ganhar coragem de arremesso. A preparação, em papel, a repousar na mesa vazia. Vem um esquecimento do plano, à flor da pele apenas o bater do coração. A roupa cola-se às costas, a voz sai num fio quebrado.Um calor sobe até à face. A vergonha de estar no buraco, às apalpadelas, no escuro, sem ar. Se vem um momento de luz,apenas uma nesga. A vergonha de ter as emoções todas as mesmo tempo e não ser capaz de escolher uma. Sentir um remoinho de coisas a pairar, ideias, imagens e nada consegue sair, preso numa garganta demasiado estreita, num corpo demasiado sensível para comportar tanto.