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A mostrar mensagens de 2014

Pensatório

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Mais um ano a passar, sim, porque um novo ano coincide com mais um aniversário! E não significa nada a soma dos anos, a não ser um pouco mais de certezas e confiança. O espírito natalício desapareceu e já o tive em grandes doses! As músicas tradicionais de Natal fazem-me mergulhar no pensatório. Queria sempre manter a cabeça livre de mágoas e tristezas, mas é dificíl.  Uma época em que é suposto sermos felizes, dói mais tentar. Fazem falta os ausentes, faz falta a inocência que é não pensar. Hoje sabe-se tanta coisa e essa "sabedoria" ganha peso nas costas e nos pés.Hoje sei que para se viver nesse espírito natalício é preciso um grande esforço. E nem todos sabem ou querem. O Natal fazia parte da minha identidade, por ter nascido nesta altura. Os meus aniversários são o Natal. Antes era o Natal o acontecimento do ano, não importava fazer anos. Agora nada importa, são dias em que nos sentamos numa mesa. Gostaria de continuar a sonhar com as músicas e filmes de Natal, mas is...

"All the cat lovers across the universe—screw everybody else"

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Não é para mim

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Há coisas que, por muito que tente ou queira, nunca as conseguirei sentir como os outros dizem. A idade adulta faz-me ver que essas coisas que os outros valorizam talvez não sejam para mim. Se durante todo este tempo encontrei unidade e calma noutras coisas, devo parar de pensar naquilo que os outros descrevem. Para já a minha imaginação, tão fértil em terrenos inúteis, parece apagar-se nos temas concretos e sérios. Toda eu sou racionalidade e um gelo humano. Ceticismo e ombros encolhidos.

Rua Triste

Então não é que a minha rua chamou-se durante muitos anos Rua Triste? Para mim é absolutamente fantástico. Cada coisa tem seu nome. Nunca dei por mim a gostar de coisas, a estar presa a coisas. Mas esta casa velha, na Rua Triste é especial. Sempre gostei das coisas que ninguém gosta.

Flor de Amendoeira

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A Cocas, a minha flor de amendoeira.

Nininho e Bebé (ácido sulfúrico!)

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http://www.umfernandopessoa.com/uploads/1/6/1/3/16136746/fernando_e_eu.pdf

Timidez

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Uma perfeitíssima contagem crescente só para ganhar coragem de arremesso. A preparação, em papel, a repousar na mesa vazia. Vem um esquecimento do plano, à flor da pele apenas o bater do coração.  A roupa cola-se às costas, a voz sai num fio quebrado.Um calor sobe até à face.  A vergonha de estar no buraco, às apalpadelas, no escuro, sem ar. Se vem um momento de luz,apenas uma nesga. A vergonha de ter as emoções todas as mesmo tempo e não ser capaz de escolher uma. Sentir um remoinho de coisas a pairar, ideias, imagens e nada consegue sair, preso numa garganta demasiado estreita, num corpo demasiado sensível para comportar tanto.

A chama

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As coisas que se perderam no fogo existem para além do fogo. São uma rocha no pensamento. Calcificação nascida, impossível de recuperar. Nada pode voltar a ser o mesmo, o fogo queimou tudo. A chama comeu as coisas e elas ganharam a vida eterna. A memória é chama que arde. Almada, 1911, fábrica em cinzas "um acto de sabotage"

Vampiros

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Piores do que o Adamastor, piores do que a Tempestade, piores do que o Medo.  Senhores do mundo, comem tudo.  Zeca Afonso arranjou-lhes o poema, a música, este nome, tão bem pensado. Hoje é neles que penso, e também nos outros que carregam esses senhores vampiros às costas.  Para cada vampiro, quantos são necessários para lhe encher a barriga de sangue?  

Ritorna-me, Napoli

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Pinhão

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É por aqui que é o caminho.

A casa

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Está ao longe, esta casa. Vive dentro de mim, mas não a consigo alcançar. Sei-lhe de cor os degraus,  não tem portas nem janelas. São colunas e lá dentro cortinas enormes oscilam ao vento. Lá dentro tem livros e todo o conhecimento. Essa casa...é uma emoção falar dela. Não é uma casa, mas é a minha casa. Onde a minha alma foi forjada. Mesmo que ela tenha sido feita para viver aqui eu continuo a não acreditar. Risco os dias para encontrar as respostas à minha saudade. https://www.youtube.com/watch?v=b5ZjPD0eARE

Fábrica

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A mudança

É absolutamente fascinante a mudança que julgámos antiga, calcificada e instalada - afinal não completamente. Afinal existe uma parte que permanece.  Qual a extensão desse resíduo? Qual a importância dessa permanência? Merece um olhar atento.  A cadência do tempo e a simples e pura inexistência de repetição fez da ditadura da paz uma evidência. E afinal, não é!  Face ao agressor, a postura é a mesma. Face ao obstáculo, os punhos cerrados. Face ao medo, um aperto no peito. A coragem de enfrentar os monstros e perigos - uma coragem feita de papel amarrotado.  Escrevo como antigamente, para purgar esse inimigo. Escrevo como mantra próximo e íntimo. São as palavras que me reúnem à paz de outrora. São elas que reunem os bons sentimentos. As palavras são talismãs.