Há uma certa ironia latente. Quando se chega a grandes conclusões, por vezes já passou o tempo. A teoria da vida é retrospectiva. E enfabulada! Gostava era de ver de que forma tantos se desenvencilham na verdade - e tão eloquentemente ensinam os outros. Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) escreve isso tão bem: Poema em linha reta Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando nã...