Uma rede
Havia um homem que tinha um coração mole. Por isso, andava atento aos males dos outros e pôs uma rede metálica no coração. Com essa rede, apenas deixava passar o ar. Acontece que, um dia, o homem teve um sonho. O coração era caçado por uma rede, mas desta vez uma verdadeira rede de apanhar peixes. Acordou exausto, louco. Acendeu a luz para ver e sentir a sua proteção e se continuava com o seu eterno coração mole e fraco. Podia respirar de alívio, foi só um sonho. Mas ficou o pensamento envenenado pela suspeita. Jamais repousou, dormia apenas um sono leve, sem sonhos. As noites e dias eram iguais, em vigília. Como era penoso suspeitar de uma verdade: um dia aquele coração irá ser preso e irá doer. Ele não sabia, mas a armadilha, para esse homem, era somente ser apanhado em falso.