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A mostrar mensagens de setembro, 2022

Simaeta e a doença ardente

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 Augusta Selene foi testemunha da doença ardente de Simaeta.  A feiticeira não alcança a magia. A feiticeira é a magia. Todas as partículas projetam-se nela, de dentro para fora, caleidoscópio que gira.  Simaeta movida pela obsessão, pelo ciume e amor ferido, faz o ritual sabendo que Delfis não vai voltar nunca mais. Simaeta manipula os objetos, mata pequenos animais, um lagarto, um pássaro, como uma desesperada e inútil dança infantil, a tentar recuperar uma ordem no caos.  Não, Delfis nunca regressará, nem a Selene nem mesmo Apolo ou Afrodite conseguem fazer brotar num coração o amor, porque não é possível falsificar a chama. O feitiço foi inútil e Simaeta entende que Delfis não pode voltar porque nenhum encantamento pode transformar um homem.  O único amor a recuperar é o seu, a sua dignidade perdida. Unificar as suas partes e usar a Natureza para girar novamente Tudo pode mudar, amantes perdidos, cidades que se queimam, famílias que se apartam, beleza esfuma...

A aventura de Alix -1

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Quando Alix juntou as suas roupas teve uma visão. Viu a casa na floresta, uma cabana abandonada, com uma cadeira, um velho tacho esquecido, um pedaço de tecido a dividir o pequeno espaço. Seria esse o lugar onde se encaminhavam. Sebastian era um homem sem planos, só pensava no momento da fuga. Juntou armas e serrou os dentes, murmurando as orações como talimãs.  Alix estava assustada, sabia que este dia teria ressonância eterna, não apenas na sua existência atual, mas nas próximas. Ia fugir da família para viver com um estranho, um estranho silencioso com quem trocou algumas palavras. O que não podia explicar a ninguém é que Sebastian era o veículo para ela chegar à velha cabana abandonada. Para escapar à vida que lhe estava reservada, para começar a estudar e a compreender o mundo. O caminho de Alix é feito sozinha, com a chama sagrada ardente nos olhos e no peito. Já viu num sonho a morte de Sebastian, o sangue a jorrar pela garganta, de olhos abertos e as mãos suplicantes. Na ho...

As feiticeiras. de Teócrito de Siracusa

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  Hécate, Selena e Afrodite já esperam as palavras da iniciada Simaeta.  Nas suas mãos trémulas está o papiro e ao lado a cera, o bronze, o fogo, as folhas de louro, a cevada, um fragmento do manto de Delfis.  Através de si a serva Testyle acompanha-a. Simaeta repete o encantamento nove vezes. Teme Hécate, mas sabe que precisa de toda a ajuda para enfrentar o abandono de Delfis. Quando o amor falhar, quando a ordem esperada falha, recorre ao sagrado e, assim, ele há de voltar. Há doze dias que não o vê. Por amor e por desespero usa a magia que aprendeu com outras mulheres, mulheres que muito amam e a quem os homens falham. Simaeta sente raiva por Delfis e as suas palavras têm o tom do desespero, procura na divina Lua o remédio para a sua dor. 

A canção da raposa vermelha

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  A raposa vermelha bebe água no rio,  Atenta ao cair da folha,  Ao deslizar da gota do orvalho. Tudo conhece na floresta, Atenta ao cair dos frutos, Ao alimentar os seus filhos.  Raposa da cauda de fogo, Atenta ao cair da noite, Ao guardar o feminino espírito .  Raposa dos olhos de mel, Atenta ao som dos teus passos, Ao amar do teu coração. 

Sebastian e Alix: os mistérios da demanda

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A demanda tem a sua ordem. Para a alma humana, os seus caminhos são misteriosos, perseguindo símbolos para a compreensão do universo.  Sebastian queria ser um homem bom e devotava-se às regras da religião que conhecia.  A sua demanda era a perfeição e debatia-se com os conflitos que essa religião impunha: o desejo de poder e a humildade, o amor e a castidade, a sabedoria e a dúvida.  Sebastian rezava todas as noites e antes de dormir pedia para encontrar um sentido maior para iluminar o seu caminho. Ele desconhecia que rezava para si mesmo e para o divino que continha a sua alma. O sentido que buscava estava ali: ao alcance do seu coração, que vibrava eternamente. A sua demanda era o Amor, todos os outros valores eram apenas distrações para a sua velha alma. Sebastian não procurava amar, por medo, e, sobretudo, por acreditar no valor da castidade como forma de purificação. Ao mesmo tempo não conseguia acreditar que a vida e todas as suas formas fossem erradas e que a exis...