Quiron em quadratura com ascendente

 Podia dizer Quíron como podia apenas encolher os ombros à quadratura-cavalgadura que verga qualquer coisa que possa dizer que é uma personalidade. Será que o saco ainda tem migalhas para serem sacudidas com mais uma crise existencial? Será que as sobras de qualquer coisa ainda têm de ser chocalhadas de trás para a frente durante mais um ano de vida? Enquanto leio e vibro com as palavras não quero ver-me, não tenho interesse em mais resinas, em mais rengue-rengue. No ano que passou passou a ser tão claro o silêncio de Deus, provavelmente um espinho que me tem afligido nas últimas três décadas. É libertador libertar essa ideia da existência de Deus de qualquer maneira humanizado que possa ser um conceito tão duvidoso como é o ser bom. 

Já que escrevo sobre iluminações pessoais, tão importantes como a queda de partículas de pó, compreendi finalmente que me movo tão lentamente quanto possível e que para me impulsionar é preciso raiva. As causas da lentidão estão coladas à quase ausência de raiva. Por qualquer motivo, suprimi a raiva com a convição que estaria a tornar-me um ser melhor. Deve ser outra quadratura, essa não em trânsito, mas estado permanente. Um tratado à ausência de raiva e um sentimento de banalização dos atropelos, olha, encolhe-se os ombros e justifica-se a cobardia e a ausência de reação a um estado superior de calma. 

Sim, a quadratura de Quíron com o ascendente vem dizer-me: olha lá, quando é que vais perceber que inventas umas boas mentiras para te deixares estar?






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